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2011: ano de mudança no BC

O ano de 2011 marca uma mudança substancial no Banco Central brasileiro. A nomeação de Alexandre Tombini no lugar de Henrique Meirelles mudou o perfil do presidente do BC: de um economista formado no mercado por um técnico que fez carreira dentro do próprio Banco Central.

A substituição foi um dos temas mais comentados na transição entre os governos de Lula e Dilma Rousseff. O não-convite à permanência de Meirelles foi visto por muitos no mercado como um indício de que o governo pretendia minar a autonomia do BC.

A desconfiança aumentou quando, diante de dados alarmantes sobre a inflação, o BC não elevou a taxa básica de juros (Selic). O controle da estabilidade de preços ficou a cargo das chamadas “medidas macroprudenciais”: desde o aumento do depósito compulsório das instituições financeiras até as restrições no financiamento de automóveis. Analistas, acostumados com um BC que só operava por meio da taxa de juros, duvidavam do poder das medidas em segurar o ritmo de alta dos preços.
Resultado: As projeções do mercado no último boletim Focus já apontam para uma inflação dentro do limite da meta (6,5%). Ainda é alto, mas a trajetória do IPCA acumulado em 12 meses mostra a inflação caindo.

Há cerca de dois meses, o BC pegou o mercado de surpresa com a redução da Selic em 0,5 ponto percentual. O movimento foi duramente criticado. Analistas acusavam o BC inclusive de projetar um cenário excessivamente pessimista para justificar o corte.
Resultado: O impasse entre os europeus para a solução das questões relativas às dívidas soberanas de Grécia, Itália e Espanha acabou confirmando o pessimismo do BC.

O câmbio também esteve sob os holofotes: com o fluxo de capitais estrangeiros entrando no Brasil, houve uma forte valorização do real que criou problemas para os exportadores e a indústria nacional que se viu às voltas com a necessidade de competir contra produtos importados a custos reduzidos. Tudo isso agravado por um cenário de guerra cambial protagonizada por Estados Unidos e China.
Resultado: Oscilando nos últimos tempos entre R$1,75 e R$1,80, o câmbio continua sendo uma questões a resolver para a autoridade monetária brasileira. Nesse patamar, a moeda segue atrapalhando a produção industrial e a criação de empregos no setor.

É bem verdade que o BC sob Tombini foi mais ajudado pelo governo federal do que na gestão de Meirelles. Os cortes de gastos anunciados pela presidente Dilma Roussef são uma parte importante do combate à inflação. Mas, conforme nos encaminhamos para o fim do primeiro ano do novo governo, não parece apressado dizer que o BC mudou. Ainda é cedo para avaliar se mudou para melhor ou para pior. Mas que houve mudança, isso não se discute.

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