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Intervalo de jogo

30 de junho de 2011 Deixe um comentário

30 de junho. Fim de primeiro tempo. Nenhum juiz apitou mas acabaram os primeiros 45 minutos de bola rolando este ano. Não reparo nessas coisas normalmente. Mesmo depois de entrar na faculdade, num curso de disciplinas semestrais, nunca fui de contar a vida em ciclos de seis meses.

Mas uma amiga chamou a atenção para o fato adicionando uma incômoda pergunta: “metade do ano passou e o que você fez?”. A pergunta intimida à primeira vista. O que eu fiz? Nenhum um passe de calcanhar, nenhum lançamento, muito menos um gol… Só arremessos laterais mal-batidos, uma dúzia de caneladas soltas.

“Não pode ter sido assim tão ruim”, pensei. Resolvi resgatar uma lista que eu tinha feito com as minhas promessas de ano novo. O time das promessas não-cumpridas está ganhando como de costume. Mas a margem está mais apertada do que nunca.

Se por um lado não me formei, não viajei com os amigos, nem cumpri minha promessa de ficar um ano sem fast-food e refrigerante; por outro lado, voltei para academia, emagreci 10kg, comecei um plano de previdência pra mim e para a minha filha.

Ver a incisiva pergunta dessa amiga foi bom. Serviu para eu revisitar essa lista de objetivos e refletir sobre meus erros e acertos de janeiro para cá. Fiz um primeiro tempo bom, mas ainda estou perdendo.

O técnico já fez as alterações, já chamou a atenção do meu lateral esquerdo (que vai marcar o refrigerante) e dos atacantes (que vão agitar uma viagem com os amigos). Agora é sair do vestiário, subir as escadas e entrar em campo que o segundo tempo já tá aí.

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Quem mexeu no meu Facebook?

30 de junho de 2011 Deixe um comentário

“Fulano de Tal está em um relacionamento enrolado”. Ao ver a mensagem no Facebook, fiquei intrigado. Há poucos dias eu conversava com o fulano-de-tal em questão e ele queixava-se justamente de sua vida amorosa que estava meio parada.

Curioso incurável, corri para perguntar. “Um FDP mexeu enquanto eu estava fora do computador”, respondeu. Eu ri. Achei de um humor sagaz: o cara viu lá o Facebook do outro aberto, dando sopa, clique-clique e voilá.

Meu amigo ficou puto. Classificou de cretino não só o autor da brincadeira como o babaca aqui que riu da piada. “Qual é a graça?”, perguntava indignado.

Não consegui responder. Racionalmente não pude explicar porque aquilo me provocara o riso. Mas, gostando ou não, é fato: eu ri.

Ele despejou argumentos. “Rede social hoje em dia é coisa séria”, disse irritado. E mandou-me um link para uma reportagem mostrando que as empresas vem crescentemente monitorando a vida de seus funcionários e de possíveis contratados na rede. “Por que o cara não vai cuidar da vida dele? Tem que vir mexer no meu PC? Pra que?”, continuou, indignado.

Argumentei que ele podia bloquear o PC ou deslogar no Facebook ao sair da sala. Ele rebateu que era ridículo uma pessoa adulta cercada por outras pessoas adultas ter de se preocupar em bloquear seu PC cada vez que levanta para tomar água ou dar uma urinada (a palavra não foi bem essa, mas ok).

Então apelei para o argumento preferido de quem não tem razão. Disse que humor era “muito subjetivo, cada um acha graça de uma coisa e ponto”. Sabia ali que estava usando um argumento ruim. E, por isso mesmo, fiquei muito tempo depois pensando e tentando responder com sinceridade à pergunta do meu nobre colega.

Seria meu riso fruto de pura canalhice, da satisfação em ver outro ser humano sendo sacaneado? Seria um sintoma da minha idade mental evidentemente incompatível com meus 20 e poucos anos de vida? Seria ambos?

Um pouco dos dois, eu acho. O humor contido numa situação dessas é o mesmo contido nas videocassetadas dominicais. É o prazer rasteiro, humano demasiado humano, de ver outra pessoa numa situação embaraçosa.  E, portanto, tem sim um fundinho de falha de caráter do risonho de plantão.

Além disso, tem um quê de imaturidade. Falta aquela noção de que podia ser com você. Falta se colocar no lugar do outro, pensar em como você se sentiria naquela situação vexatória.

Aí o nobre leitor pergunta: “E o que há de vexame em ver alterado seu status de relacionamento na rede social?”. É só pensar o constrangimento que aconteceria se o meu amigo estivesse paquerando (ô palavrinha horrível!) uma menina e ela visse no perfil dele que ele está “em um relacionamento enrolado”.

Sim, eu estava errado. Mas como não sou e nem quero ser perfeito, eu ri. Como rio, há anos, dos pobres seres humanos se estabacando nas videocassetadas.

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