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Quem mexeu no meu Facebook?

“Fulano de Tal está em um relacionamento enrolado”. Ao ver a mensagem no Facebook, fiquei intrigado. Há poucos dias eu conversava com o fulano-de-tal em questão e ele queixava-se justamente de sua vida amorosa que estava meio parada.

Curioso incurável, corri para perguntar. “Um FDP mexeu enquanto eu estava fora do computador”, respondeu. Eu ri. Achei de um humor sagaz: o cara viu lá o Facebook do outro aberto, dando sopa, clique-clique e voilá.

Meu amigo ficou puto. Classificou de cretino não só o autor da brincadeira como o babaca aqui que riu da piada. “Qual é a graça?”, perguntava indignado.

Não consegui responder. Racionalmente não pude explicar porque aquilo me provocara o riso. Mas, gostando ou não, é fato: eu ri.

Ele despejou argumentos. “Rede social hoje em dia é coisa séria”, disse irritado. E mandou-me um link para uma reportagem mostrando que as empresas vem crescentemente monitorando a vida de seus funcionários e de possíveis contratados na rede. “Por que o cara não vai cuidar da vida dele? Tem que vir mexer no meu PC? Pra que?”, continuou, indignado.

Argumentei que ele podia bloquear o PC ou deslogar no Facebook ao sair da sala. Ele rebateu que era ridículo uma pessoa adulta cercada por outras pessoas adultas ter de se preocupar em bloquear seu PC cada vez que levanta para tomar água ou dar uma urinada (a palavra não foi bem essa, mas ok).

Então apelei para o argumento preferido de quem não tem razão. Disse que humor era “muito subjetivo, cada um acha graça de uma coisa e ponto”. Sabia ali que estava usando um argumento ruim. E, por isso mesmo, fiquei muito tempo depois pensando e tentando responder com sinceridade à pergunta do meu nobre colega.

Seria meu riso fruto de pura canalhice, da satisfação em ver outro ser humano sendo sacaneado? Seria um sintoma da minha idade mental evidentemente incompatível com meus 20 e poucos anos de vida? Seria ambos?

Um pouco dos dois, eu acho. O humor contido numa situação dessas é o mesmo contido nas videocassetadas dominicais. É o prazer rasteiro, humano demasiado humano, de ver outra pessoa numa situação embaraçosa.  E, portanto, tem sim um fundinho de falha de caráter do risonho de plantão.

Além disso, tem um quê de imaturidade. Falta aquela noção de que podia ser com você. Falta se colocar no lugar do outro, pensar em como você se sentiria naquela situação vexatória.

Aí o nobre leitor pergunta: “E o que há de vexame em ver alterado seu status de relacionamento na rede social?”. É só pensar o constrangimento que aconteceria se o meu amigo estivesse paquerando (ô palavrinha horrível!) uma menina e ela visse no perfil dele que ele está “em um relacionamento enrolado”.

Sim, eu estava errado. Mas como não sou e nem quero ser perfeito, eu ri. Como rio, há anos, dos pobres seres humanos se estabacando nas videocassetadas.

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